quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Paz de espírito é despensa vazia

A relação do que não se deve comer é decretada por quem não está com fome.
Qualquer esfomeado encoberto por uma falsa fartura
Que num instante genuíno de saciedade plena, delibera:
Isso faz mal, aquilo que não pode, isto está errado ou não lhe cai bem...


Maldito faminto enrustido!

A fome existe, e quem a experiencia não tem como negá-la.
Não são poucas, mas diversas vezes ao dia
Aquela vontade louca de comer alguma coisa
Assola a mente,
Desorganiza a rotina,
Distrai os pensamentos.

É durante a fome que o bife sangrento se torna suculento ao vegetariano
Que a maçã podre apetece o mais cristão
O feijão apimentado se mostra refrescante ao seu próprio cu
É durante a fome, que todos os males se tornam a única salvação
Convergindo a remissão da própria sentença, própria ou alheia

Diante do sofrimento concernente ao apetite avassalador
Improvável não se render à despensa
E se fartar de tudo um pouco
Ou de um pouco do muito
Aliás, quanto é mais?

Com os lábios ainda sujos de comida, a digestão se inicia
A letargia domina o corpo, que amolece
O sangue se concentra no abdômen
A mente se aquieta no vazio de absoluta sacies
Até quando?

Até um momento seguinte
Quando a fome retorna na íntegra
Como se nunca houvesse comido
Diante do sofrimento recorrente concernente ao apetite avassalador
Improvável não se render à despensa
E se fartar de tudo um pouco
Tudo de novo, outra vez

Quando desta vez, a despensa está oca
No vazio, nada ressoa
Plena de vácuo, dispensa o torpor da comida
Interrompe o dispendioso prazer de comer
Até quando?
Enquanto a despensa se manter vazia

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mais que um desabafo, quase um sacrilégio


Tô assim, meio puta com a vida.
Tô assim, sem paciência com os ignorantes.
Tô assim, com vontade de trucidar o egoísmo alheio.
Não é novidade para ninguém como eu amo a Mooca e como sinto que esse bairro é o quintal da minha casa.
A praça perto de casa foi completamente revitalizada às custas do esforço pessoal e independente dos vizinhos aposentados, que cuidam, plantam, alimentam as maritacas e passarinhos e limpam diariamente aquele lugar, que hoje está lindo e organizado.
Sempre vou com o cachorro lá e claro, recolho seus dejetos. Claro, só se for para mim. Acabo deixando a praça depois de recolher o cocô do meu animal e mais de muitos outros.
E detalhe: os aposentados limpam a praça todos os dias.
Mas existe uma coisa que me incomoda MUITO mais.
É a ignorância de indivíduos egoístas e sem nenhum respeito para com a natureza, nem com as outras pessoas, que deixam objetos cortantes, perecíveis, não bio degradáveis nas praças e nas esquinas da Mooca.
E fico TÃO, mas TÃO irritada com esse tipo de estupidez, que outro dia, parei o carro à meia noite na esquina da Rua Pirassununga, interrompi 3 mulheres que estavam deixando à base de uma árvore charuto, garrafa, copo, vela... e pedi para que ‘retirassem os objetos depois da oração’.
Claro, que no dia seguinte, estava tudo lá, sob a pobre árvore, no meio da calçada... uma sujeira só.
Essas pessoas são TÃO imbecis que não percebem que repetir a mesma lambança e porcalhada, não passa de atos e mais atos desesperados que não às leva conseguir o que querem... a não ser me irritar.
E que fique bem claro: minha putez não tem nada a ver com religião ou rito. Pelo contrário. Esses infelizes cometem essas imundices alegando ato de fé oriundo de religião que cultua a natureza e pratica a caridade, o ato máximo de respeito ao próximo.
E existe uma verdadeira enxurrada de recomendações, pedidos, solicitações, publicações... de dirigentes espirituais que orientam frequentadores, curiosos e pessoas em geral na forma adequada de praticar a religiosidade com eficiência, voltada à reforma íntima de atitudes e pensamentos.
Mas porque essas informações não chegam a quem mais precisa delas? Por que essas pessoas que acham que a vida é barganha não se influenciam com tantos exemplos que temos de caridade e fé?
Por que eu me incomodo tanto com isso? E por que eu não consigo respeitar a imaturidade e a ignorância dessas pessoas que julgo imbecis? Ok, tenho que me esforçar mais.
Minha última destilada: esses mesmos ignorantes, amanhã, darão depoimentos na televisão, para milhares de pessoas, que agora, está liberta dos espíritos obsessores e endemoniados... que depois que Jesus entrou na sua vida, ela finalmente está prosperando... blá, blá... E, na boa, eu não vejo a hora disso acontecer, por que: será um deturpador à menos, sujeira a menos, imaturidade a menos...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Planejamento

    Um dia um garoto de 12 anos entra num bordel arrastando um gato morto por um barbante. Ele coloca uma nota de 50 no balcão e diz:- Quero uma mulher!
    A cafetina, olhando para ele, responde:
    - Você não acha que é um pouco jovem para isso?
    Ele baixa uma segunda nota de 50 no balcão e repete:
    - Quero uma mulher!
    - Tá certo, - responde ela. Senta aí que vem uma dentro de meia hora.
    Ele põe outra nota de 50:
    - Agora! E ela tem que ter gonorréia! A cafetina  começa a perguntar por que, mas ele deixa mais uma nota de 50 e repete:
    - Gonorréia! Alguns minutos depois chega uma mulher... Eles sobem a escada (ele arrastando o gato morto).
    No quarto ela faz seu trabalho... Quando eles estão saindo, a cafetina
    pergunta:
    - Tudo bem, mas por que você queria alguém com gonorréia?
    - Quando eu voltar para casa, eu vou transar com a babá, e quando o papai voltar para casa, ele vai levar a babá para casa dela e vai transar com ela. Quando ele voltar para casa, vai transar com a mamãe e amanhã de manhã, depois que o papai sair para o trabalho, a mamãe vai transar com o leiteiro.
    O leiteiro é o filho da puta que atropelou meu gato!!
     
    Planejamento é aquilo que fode com todo mundo para se atingir um objetivo.

domingo, 1 de maio de 2011

The book is on the table

A capa, as vezes engana
Racha, envelhece
Mas protege

Conto, prosa
Rima, poema
Ou com um pouco de cada

Nascemos
Do primeiro parágrafo
Predestinados à última página

Experienciamos
Cada frase e pontuação
Linha por linha e acentuação

A vida
Reta, gelada
Um móvel
Imóvel à quatro pés

The book
Estamos simplesmente
On the table, na vida


quarta-feira, 30 de março de 2011

Viver pra morrer

Viver com alguém que quer morrer é morrer junto.
Morrer em vida é doer da carne à alma.
A carne morta prende a alma.
A alma chora a dor da carne.

Feito de alma e carne, o ser sofre.
Sofre pela vida, plena de morte.
Reza à morte pelo fim da vida.
Vive a vida, esperando a morte.

Uma vida, sem esperança.
A esperança plena na morte.
A morte como um alívio.
O alívio de uma vida morta.

Porque me faz viver, se quero morrer?
Porque morrer, se não sei mais o que é viver?
Porque morrer é diferente de viver?
Porque viver é desejar morrer?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Quem está vivo, sofre

Dependendo da sua crença, quem estiver morto também.
O fato é que o sofrimento é inerente ao serumano. Não que a existência do serumano seja exclusivamente sofrida, mas em algum momento, ou em vários, o serumano sofre.
E motivos não faltam. Seja por ordem física, cotidiana, valores, ideologia, psicológica... e se não existirem  motivos reais, existe uma tal falta de ceretonina, que causa depressão, que gera sofrimento.
Não sei como os animais de outras espécies lidam com o sofrimento, se é que os tem, mas nós, além de sofrermos, ainda ansiamos por não sofrer, o que causa ainda mais sofrimento. Quando sofremos, buscamos desesperadamente por aliviá-lo e sofremos ainda mais.
Talvez lidar atribuir ao sofrimento uma carga ‘natural’, os confortaria...
Outro fato é a causa do sofrimento é algum fator alheio à nossa vontade, uma contrariedade às nossas expectativas.
“Eu não queria...”, “Eu não gosto”, “Eu não suporto”...
E se “Eu não queria, mas é ...” seria capaz de aliviar o sofrimento? Ou aliviaria o sofrimento causado por estar sofrendo... não sei. Só sei que sofremos.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Revolver


Há algo sobre você mesmo que você não sabe. Algo que você nega existir. Até ser tarde demais para fazer alguma coisa a respeito. É o único motivo pelo qual você levanta toda manhã. O único motivo pelo qual você aguenta o chefe intragável, o sangue, o suor e as lágrimas. É o porque você quer que as pessoas saibam o quanto você é bom, atraente, generoso, engraçado, maluco e inteligente. Tenha medo de mim ou me reverencie. Mas por favor, me considere especial. Compartilhamos um vício: a necessidade de aprovação. Todos nós queremos um tapinha nas costas e o relógio de ouro, o grito da torcida. Olha só o garoto inteligente com o brasão polindo o troféu. Continue brilhando diamante maluco! Afinal somos macacos de terno, implorando pela aprovação dos outros. Se soubéssemos disso, não faríamos isso tudo. Alguém está escondendo isto da gente e, se tivéssemos uma segunda chance, você perguntaria: por quê?

O ego é o pior dos trapaceiros em que podemos pensar, em que podemos imaginar, porque você não o vê.

O problema é que o ego se esconde no último lugar em que você procuraria: em si mesmo!

Ele disfarça os pensamentos dele com os seus pensamentos e os sentimentos dele com os seus sentimentos. Você acha que é você.

As necessidades das pessoas de proteger seus próprios egos não conhece limite. Elas mentem, roubam, enganam, matam, fazem o que for preciso para manter o que chamamos de fronteiras do ego.

As pessoas não têm idéia de que estão numa prisão, não sabem que há um ego, não conhecem a diferença.

Primeiro, é muito difícil para a mente aceitar que há algo além dela mesma. Algo mais valioso e mais capaz de discernir a verdade em si.

Na religião, o ego se manifesta como o demônio e, é claro, ninguém percebe o quanto o ego é esperto porque, ele criou o demônio para que você culpe o outro.
Ao criarmos este inimigo externo imaginário, criamos um inimigo de verdade para nós mesmos e isto se torna uma ameaça real para o ego, mas isso é também criação do ego.
Não existe nenhum inimigo externo, não importa o que a voz na sua cabeça diga. Toda a percepção do inimigo é a projeção do ego como inimigo.

O seu maior inimigo, é a sua própria percepção, sua ignorância, o seu ego.